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14 de fevereiro às 10:03
Claudia Leitte expõe opinião sobre a crise na industria do axé.

7897Claudia Leitte diz que não há crise no axé ou no modelo de blocos com trios elétricos do Carnaval de Salvador. Em entrevista exclusiva à Folha, a cantora lamenta ainda a situação econômica do país e critica os empresários de axé que “só se preocuparam em ganhar dinheiro”

Folha – Este ano, você estreia como rainha de bateria. É a primeira vez que desfila no Rio de Janeiro? O que espera dessa experiência?

Claudia Leitte – É minha primeira vez no Carnaval do Rio de Janeiro, mas já vivi um pouco dessa atmosfera porque minha família por parte de pai é carioca. Eu sempre tive muito contato com a cultura do Carnaval do Rio. Posso dizer que me influenciei pelo que vivi. Eu vi o Carnaval muito porque meu pai saiu de lá e vivia o Carnaval.

Folha – Quem são as rainhas de bateria que a inspiram?
Claudia – Eu assisti a muitas, principalmente para ver a movimentação de mãos. Na Bahia, o nosso samba, que é o samba de roda, é mais focado nos quadris. Meu desafio foi trabalhar a parte de cima do corpo. Busquei acompanhar o trabalho de várias rainhas, mas tem uma pela qual fiquei apaixonada: Viviane Araújo, porque ela toca e interage com a bateria.

Folha – Já conhecia a história da Mocidade? Há algum desfile ou samba-enredo da escola que marcou você?
Claudia – Eu procurei conhecer mais da história da Mocidade. Ainda não aprendi todos os sambas-enredo porque eles têm uma história mágica e com um monte de música, não dá para aprender tudo. Mas os refrões, eu estou lá dentro. Tem um que me marcou: [cantando] “Boa noite, meus senhores, sambistas e compositores e até mesmo bacharéis…” Essa é linda, parece que ouvi essa música minha vida inteira. Ela ficou viva dentro de mim.

Folha – Há quem critique a “importação” de rainhas de bateria para o Carnaval porque tiraria o lugar das moças da comunidade. Concorda com eles?
Claudia – Eu estou achando tudo o máximo. A primeira vez que fui na quadra da Mocidade foi na minha coroação. E o povo me recebeu de um jeito… Quando eu cheguei, eu vinha acompanhada de Paulo Barros, que trouxe um resgate da autoestima de Padre Miguel. As pessoas estavam completamente tomadas por um sentimento de “Vamos vencer”. Cheguei num momento muito especial. Eu fui recebida como filha e não vi nada que não fosse positivo ali. Pelo contrário, foi uma loucura.

Folha – Para desfilar na Sapucaí, você deixará de participar um dia do Carnaval de Salvador. É uma troca que, financeiramente, compensa?
Claudia – Eu estou num momento da vida em que posso fazer esse tipo de escolha. Me sinto realizada e isso é o que importa. Eu sempre quis desfilar na Sapucaí e queria me dar esse luxo.

Folha – Fala-se que você recebeu R$ 1 milhão para desfilar na Mocidade. É verdade?
Claudia – Não teve nada disso. Eu fiz uns shows na Mocidade. Mas eu só cobro pelos meus shows, fui parceira em bilheteria.

Folha – Digamos que um fã seu só tenha dinheiro e tempo para ver você em uma cidade. Deve ir para Salvador ou para o Rio?
Claudia – Essa é difícil… Tem fã meu já aqui [em Salvador] e que vai pro Rio de Janeiro também. É uma galera que não tem grana, que peregrina, vai de ônibus, de caravana. Eu acho que dá para se desdobrar esse ano. Escolher nem pensar, eu quero todos colados em mim.

Folha – Outros artistas importantes, como Ivete Sangalo, também vão tocar fora da Bahia, como você em Minas. Isso é reflexo da crise do Carnaval de Salvador?
Claudia – É um momento de transição. A economia está muito mexida e as pessoas têm que se adaptar à realidade. O entretenimento também passa por isso. A gente é artista e tem que estar onde o povo quer que a gente vá. Não acho nem que tem crise nenhuma [no Carnaval de Salvador]. Acho que é um momento difícil para o nosso país. A situação financeira do país não está boa.

Folha – Foi por causa da crise que optou por não ter camarote próprio este ano?
Claudia – Sim, sem dúvida. O custo é enorme e a receita não é igual. Então, eu tenho que investir naquilo que acredito. Acredito no meu trio elétrico, no meu bloco, no que me traz retorno e no que me faz feliz e tenho experiência para lidar.

Folha – Você acha que o modelo de Carnaval de Salvador esgotou?
Claudia – A gente criou uma indústria de produzir alegria. Mas acho que todo mundo se preocupou em ganhar dinheiro instantaneamente. Não se fez um Carnaval, do ponto de vista do business, pensando a longo prazo. Essa história de contratar artistas para tocar é muito aquela coisa “Eu quero o artista agora, ele vai me dar grana e depois substituo por outro artista”. As pessoas se preocuparam em ter na hora o cash e não em ter suporte para 10, 20 anos de festa.

Folha – Alguns artistas têm baixado as cordas dos blocos, desfilando apenas com recurso de patrocinador. Esse é o caminho?
Claudia – Bloco é tradição. Se você mata a tradição, você mata o evento como um todo. O bloco existe desde que o Carnaval existe. Então, bloco tem que existir. O que eu acho é que tem que profissionalizar e pensar a longo prazo. O coração do Carnaval da Bahia é o axé, e a alma é o artista baiano.

Folha – Este ano você desfila em Salvador com o bloco Largadinho, que assume o lugar do bloco Me Ama. Você comprou o bloco ou arrendou o lugar na fila de desfile?
Claudia – Eu comprei a empresa que é dona do bloco “Me Ama” [que tem como sócio Durval Lélys]. Eu sou dona da “Me Ama” e, consequentemente, eu tenho lugar na fila [de desfile do blocos]. Essa é uma das razões porque estou fazendo [desfiles no] Rio de Janeiro e Santa Rita do Sapucaí. Agora eu sou dona do meu bloco.

Folha – No ano passado, você disse que “acabaram com o Carnaval do Campo Grande, vão acabar com a tradição”. Este ano, no entanto, não vai desfilar no circuito mais tradicional de Salvador. Por quê?
Claudia – Deixei o Campo Grande porque foram oito horas de puxada [tempo de desfile do bloco] no ano passado. Eu não consigo mais me ver oito horas puxando um trio. É cansativo, não tem repertório que aguente. Enquanto não tiver, de fato, uma mudança que não permita que a gente passe por isso, eu não posso voltar [no circuito da Barra, são cerca de quatro horas de desfile].

Folha – Nos últimos discos, seu trabalho tem permeado vários ritmos. “Matimba” é próxima das guitarradas e ritmos africanos, “Cartório” flerta com o arrocha e o forró eletrônico. Ainda se considera cantora de axé?
Claudia – Sim, cantora de axé. É meu axé, minha batucada e meu suingue que me diferenciam e me colocam numa zona diferente. Se eu tirar isso de mim, não existo.

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